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Precariedade toma conta da Civil

Reflexo da acumulada falta de investimentos e da crise do sistema penitenciário, a explosão de problemas nas mãos de delegados e investigadores parece chegar ao limite do insustentável. Preocupados, policiais pedem providências para que consigam executar o mínimo que é esperado deles: um bom trabalho. O governo, por sua vez, informou realizar estudos para conciliar as prioridades da corporação com a capacidade de investimento do Estado.

“A Polícia Civil é uma das instituições mais sucateadas de Minas. O Estado optou por um modelo equivocado, achando que a criminalidade diminuiria investindo na Polícia Militar. Mas isso represou as ocorrências e deu no que deu: agora está tudo explodindo”, diz o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas (Sindpol-MG), Denilson Martins. Segundo ele, a falta de concursos públicos periódicos, aliada à carência de investimentos e à ausência de autonomia orçamentária, tem prejudicado, e muito, o trabalho da corporação.

Para mostrar a situação, O TEMPO percorreu delegacias de três municípios da região metropolitana. Em todas elas, apesar dos problemas evidentes, a reportagem se deparou com o medo: embora ávidos por mudanças, policiais demonstraram receio de represálias caso apresentassem suas carências. Por isso, os pontos visitados não foram identificados para preservá-los.

Cenário. Nas delegacias que fazem plantões, o acúmulo de presos tem acontecido de forma tão grave quanto nas duas Centrais de Flagrantes da capital. Celas de custódia, que recebiam até dois presos por vez, chegam a abrigar 11, enquanto a Secretaria de Estado de Defesa Social providencia vagas em presídios. Sem segurança adequada nem estrutura de alimentação e higiene para os presos, há riscos de fugas e resgates. “Já faz três semanas que estamos lidando com isso. O Judiciário interditou presídios, e uma coisa foi travando a outra”, contou uma policial.

Outro lado

Resposta. A Polícia Civil informou que sofreu com contingenciamento de recursos da última gestão, o que inviabilizou construções e reformas em delegacias, além de investimentos em viaturas e efetivo.

Vagas. Foi autorizado o curso de formação para 129 novos peritos criminais e médicos legistas, que vão reforçar equipes do interior até o fim deste ano. Concurso para contratar mil investigadores foi retomado.

O Tempo

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