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Mortes de jornalistas em Minas apontam para grupo criminoso com participação de policiais
| 19/04/2013

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O  assassinato de dois repórteres do jornal “Vale do Aço” pode ser a oportunidade  de pôr fim a uma organização criminosa que, segundo o governador de Minas,  estaria agindo impunemente há duas décadas na região. Antonio Anastasia se  reuniu na quarta-feira (17) com o comando das polícias militar e civil e com o  secretário de Defesa Social para tratar dessa questão.

No domingo à noite, havia sido morto com um tiro  de revólver calibre 38 o repórter fotográfico Walgney Assis Carvalho, que teria  afirmado saber quem matara, no mês passado, em Ipatinga, o repórter Rodrigo  Neto. Este apurava informações sobre um grupo de extermínio, com participação de  policiais, que agia na região. As circunstâncias da morte dos dois repórteres  são parecidas. Ambos foram assassinados por tiros disparados por homens que  chegaram de moto e fugiram sem serem identificados.

Se agentes públicos estiverem envolvidos nos dois crimes, a questão é ainda  pior. Ao reconhecer a gravidade, o governador acenou com a possibilidade de  montar uma força-tarefa com policiais federais para ajudar nas  investigações.

A polícia civil, após o assassinato de Rodrigo Neto, suspeitou que poderia  existir relação de autoria e motivação entre esse crime e outros 14 homicídios  ocorridos na região. Um deles data de 2008: um adolescente infrator teve a  cabeça decepada e jogada diante da casa de um capitão da PM que apurava seu  desaparecimento. A cabeça estava embrulhada em folhas de jornal, com reportagens  assinadas por Rodrigo Neto.

O jornal “Vale do Aço” acusa dificuldades para substituir os repórteres  mortos, pois é grande o receio. Na quarta-feira, o Grupo de Trabalho sobre  Direitos Humanos dos Profissionais de Comunicação no Brasil pediu que sejam  avaliados os riscos desses trabalhadores no Vale do Aço. No mesmo dia, dois  repórteres do jornal de Ipatinga pediram proteção à Comissão de Direitos Humanos  da Assembleia Legislativa.

A imprensa não pode ser intimidada por grupos criminosos, pois seria bastante  ruim para todos os cidadãos de bem. Crimes florescem na obscuridade. Mais razão  ainda tem o governo para não se deixar intimidar. Aureliano Chaves, na década de  1970, enfrentou com sucesso um desses grupos formados dentro da polícia mineira,  o chamado “esquadrão da morte”. Não se pode admitir, em pleno regime  democrático, que nossa polícia fique mais uma vez sob suspeita de omissão – se  não de participação, em tais atividades criminosas.

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Uma resposta para “Mortes de jornalistas em Minas apontam para grupo criminoso com participação de policiais”
  1. Sub Nonato disse:

    o esclarecimento desse tipo de crime é muito importante para sociedade mineira que clama a cada dia por mais segurança nas ruas do nosso estado.

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