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Sem utilidade: Caveirões nunca foram usados pela polícia

Os caveirões, como são conhecidas duas viaturas blindadas que pertencem à Polícia Militar de Minas Gerais, foram comprados por R$ 1,4 milhão. O objetivo era reforçar a tropa de elite da corporação no combate à criminalidade. No entanto, quase seis meses depois, eles ainda não foram usadas nas ruas. O motivo já era previsto por especialistas: não há demanda para o uso dos veículos no Estado.

As viaturas estão na sede do Batalhão de Polícia de Eventos (BPE) de Belo Horizonte, no bairro Gameleira, região Oeste da capital. Elas foram compradas para ficar à disposição do BPE e do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate). Mas, até hoje, elas estão sendo utilizados apenas em treinamentos de policiais. Para especialistas em segurança pública, a situação é o resultado de um investimento equivocado das autoridades policiais já que o equipamento é de uso esporádico.

Raridade
Os veículos foram adquiridos pela Polícia Militar mineira em um convênio com a Secretaria Nacional de Segurança Pública. O problema é que as viaturas blindadas, feitas especialmente para os militares mineiros, foram compradas para uso em situações que raramente acontecem no Estado: resgatar policiais e pessoas feridas em locais de difícil acesso ou durante conflitos envolvendo multidões, rebeliões, remoção de barricadas, desobstrução de vias públicas e situações de atentados e ataques terroristas.

“O cenário da violência no Estado não exige da polícia um equipamento de guerra como esse”, afirmou o pesquisador do Centro de Estudo de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, Luis Felipe Zilli.
A opinião é compartilhada pelo coordenador do Centro de Pesquisas em Segurança Pública da PUC Minas, Luiz Flávio Sapori, desde a época das aquisições, quando foi entrevistado pela reportagem. Agora, ele reafirma que o uso dos caveirões é cada vez mais raro até mesmo em locais onde ocorrem conflitos constantes e intensos. “Não consigo visualizar uma utilização para esses veículos em Minas. Acredito que essas viaturas se tornarão peças de museu”.

O outro lado
Na avaliação do comandante do Policiamento Especializado de Minas Gerais, coronel Sandro Teatini, a aquisição dos caveirões foi um reforço na segurança pública. “Ainda bem que não foi necessário o uso das viaturas. Mas estamos preparados para utilizá-los se necessário”.

De acordo com Teatini, apesar de não terem sido utilizados em uma ação real de conflito, os blindados estão em excelente condição de conservação.

caveirões mg

Verba para qualificar

Os recursos utilizados na aquisição dos dois caveirões deveriam ter sido investidos na qualificação de pessoal e na qualidade dos equipamentos já utilizados pelo serviço de inteligência da polícia. Essa é a avaliação do pesquisador da UFMG Luis Felipe Zilli.

Ele afirma que, com um serviço de inteligência de qualidade, a polícia conseguiria trabalhar de maneira mais coordenada, rápida e, consequentemente, mais eficiente. “O investimento em inteligência é uma necessidade das polícias de todo o país”, ressalta. Para Zilli, a compra dos caveirões vai na contramão do histórico das ações da PM mineira. A Polícia Militar de Minas é reconhecida por um policiamento humanizado, preventivo e próximo, e não de confronto ou de guerra.

Também de acordo com Flávio Sapori, o dinheiro poderia ter sido investido em um treinamento mais qualificado das tropas de elites da PM. Ele acredita ser difícil a necessidade da utilização do caveirão no Estado.

Essa compra foi uma avaliação equivocada. Infelizmente, esse é um prejuízo que não tem mais como recuperar, lamenta o especialista em segurança. Na época em que a polícia divulgou a aquisição dos caveirões, especialistas já haviam criticado a compra.

2 Respostas para “Sem utilidade: Caveirões nunca foram usados pela polícia”
  1. LUIZ ANTONIO disse:

    O CASO NAO SERIA ESTE, INVESTIMENTO DESNECESSÁRIO. A VISAO DE QUEM CRITÍCA É SUPERFICIAL, REALMENTE AQUI EM MINAS A VIOLENCIA NÃO É DO MESMO PATAMAR DO RJ, CONTUDO É PERCEBIDO O CONSTANTE E ASSUSTADOR AUMENTO NOS INDÍCES DE CRIMINALIDADE, PRINCIPALMENTE VIOLENTA, EM TODO O ESTADO, INCLUSIVE FORA DA CAPITAL. NÃO PRECISAMOS ESPERAR QUE CHEGUEMOS AO PATAMAR DE SP E RJ PARA QUE POSSAMOS TOMAR PROVIDENCIAS. ESTE INVESTIMENTO É VÁLIDO. O TREINAMENTO TÁTICO É NECESSÁRIO, ESTAMOS AS VESPERAS DE REALIZAR UMA COPA DO MUNDO, A POLICIA MINEIRA DEVE ESTAR EQUIPADA PARA UM SITUAÇÃO MAIS TRÁGICA E UM ESFORÇO ESPECIALIZADO. NÃO SE TRATA DE TER INVESTIDO ERRADO, A REALIDADE ÉQUE POSSUIMOS DEFICIENCIA EM VÁRIAS ARÉAS, LOGO, ONDE FOSSE INVESTIDO A VERBA SERIA DE GRANDE UTILIDADE E CONSEQUENTEMENTE DEIXANDO OUTROS SETORES DESGUARNECIDOS. AQUELES QUE REALMETE ESTAO PRESENTES NO SERVIÇO OPERACIONAL, NO TEATRO DAS OPERAÇÕES, CONSEGUEM DISLUMBRAR A IMPORTANCIA E VALENCIA DESTES VEÍCULOS ADIQUIRIDOS. TAMANHA ESPECIALIZAÇÃO, CAPACITAÇÃO CLASSIFICA SE COMO UM AVANÇO. A VIDA DE UM MILITAR ENCURRALADO, NECESSITANDO DE RESGATE NAO TEM PREÇO, TODO E QUALQUER RECURSO DISPONÍVEL É NECESSÁRIO. QUANDO SE TRATAM DE VIDAS NÃO SE DEVEM MEDIR ESFORÇOS, NÃO SÃO MERAMENTES INDÍCES, ESTATÍSTICAS.

  2. Paulo Sérgio Alves - 3º Sgt PM disse:

    Mesmo que não esteja sendo usado no momento, pode ser que alguma situação seja exigido, pois a criminalidade só aumenta e o respeito dos marginais pelos militares não existe mais. Pelo menos sabemos que o dinheiro do Estado foi investido em algo que pode ser necessário sua utilização.

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