Medellín volta a ser líder em violência na Colômbia

medellinMEDELLÍN – A vida de Jarbin Palacio, de 23 anos, operário em Medellín, parecia promissora em 2006, quando um teleférico moderno, com cabines para oito pessoas, foi instalado na comuna de Santo Domingo Savio, uma das mais violentas da cidade colombiana. Apesar de morar em um miserável barraco numa encosta em La Silla, parte mais pobre e alta do morro, Palácio participava de um laboratório de experimentos sociais que faria de Medellín uma vitrine de combate à violência para outros países da América Latina.

Tido em 1991 como o município mais violento do mundo, com taxa de 381 assassinatos por 100 mil habitantes, a cidade tornou-se fabricante de boas notícias a partir de 2003, quando os índices de homicídios baixaram 81% em quatro anos. Os bons resultados provocaram peregrinação de autoridades à cidade, entre elas governadores brasileiros como Sérgio Cabral (RJ), Aécio Neves (MG) e José Roberto Arruda (DF), que queriam aprender em Medellín os caminhos para a paz.

Nesses tempos de otimismo, depois do trabalho, Palacio pegava o teleférico na parte baixa da cidade, saltava no cume da montanha, e caminhava entre atalhos na mata cerca de 20 minutos até chegar ao barraco. A cidade parecia fadada à paz. Mas a verdade é que Medellín passava por um breve período de trégua entre quadrilhas que se rompeu no fim de 2008, fazendo os assassinatos saltarem 177% em dois anos. No ano passado, as taxas voltaram ao patamar de 94 homicídios por 100 mil habitantes, que a colocam novamente no topo do ranking mundial.

Velhas cenas de terror voltaram a assombrar a rotina das comunas em Medellín. Em uma noite de julho de 2008, quando Palacio chegava a seu barraco, dois jovens de uma banda criminosa de Santo Domingo o tomaram como simpatizante de um grupo rival e deram-lhe dois tiros na cabeça. Depois de 20 dias no hospital, sobreviveu.

A casa de Palacio fica em um local estratégico, que permite observar o deslocamento da polícia e de grupos rivais. O território passou a ser disputado pelos grupos La Galera, La Torre e 38, ligados a facções inimigas que produzem drogas na Colômbia. Nesse mesmo semestre, batalhas sangrentas entre gangues rivais voltaram a ser travadas em todas as comunas da cidade, refletindo nos números da violência em Medellín. Depois de registrar 788 assassinatos em 2007, fechou-se o ano passado com 2.189 homicídios.

Em Santo Domingo de Savio, o crescimento foi de 265%. Se teleférico, bibliotecas e escolas ajudaram a melhorar a perspectiva dos moradores, não foram suficientes para controlar a desordem armada. “Depois que deixei o hospital, quase todas as noites do ano passado dormi ao som de balas de fuzil. Para tentar aumentar a segurança aqui em casa, coloco o meu colchão na parede e durmo no chão”, diz Palacio.

A vida de Jarbin Palacio, de 23 anos, operário em Medellín, parecia promissora em 2006, quando um teleférico moderno, com cabines para oito pessoas, foi instalado na comuna de Santo Domingo Savio, uma das mais violentas da cidade colombiana. Apesar de morar em um miserável barraco numa encosta em La Silla, parte mais pobre e alta do morro, Palacio participava de um laboratório de experimentos sociais que faria de Medellín uma vitrine de combate à violência para outros países da América Latina.

Fonte: Luis Flávio Sapori